quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ópio: o grande combustível Afegão



Os comandantes norte-americanos pretendem cortar a principal fonte financeira do Taleban, a multimilionária produção de ópio (um derivado da papoula) do país. Os Estados Unidos enviarão milhares de soldados às três províncias que financiam grande parte das operações do grupo.

O plano para o envio de 20 mil fuzileiros navais e soldados do exército para as províncias de Helmand, Kandahar e Zabul, já que as autoridades norte-americanas acreditam que o Taleban defenderá vigorosamente aquilo que funciona como seu único motor econômico.

Por meio de extorsão e taxação, o Taleban obteria até US$ 300 milhões anualmente com o comércio de ópio do Afeganistão, que atualmente representa 90% das transações comerciais do país. Segundo os norte-americanos, isto é o suficiente para sustentar todas as operações militares do Taleban no sul do Afeganistão durante um ano inteiro.

Porém, como sempre, os Estados Unidos terão que enfrentar graves problemas como: o ópio é comercializado em áreas densamente habitadas, e, além disso, tem o fato de o Taleban estar espalhado em meio à população. Sendo assim, os norte-americanos só terão sucesso se romperem o controle do grupo sobre o cultivo da papoula. Ninguém aqui acredita que essa será uma tarefa fácil.

Na última segunda-feira, após passarem apenas dez minutos na pequena aldeia de Zangabad, que fica 32 quilômetros ao sul de Kandahar, os soldados norte-americanos depararam-se com um campo de papoulas plenamente florido. Combatentes talebans abriram fogo de três lados.

Segundo as autoridades norte-americanas, atualmente o comércio de ópio representa quase 60% do produto interno bruto do Afeganistão. Muitos dos novos soldados norte-americanos atuarão na área vasta e em grande parte desguarnecida ao longo da fronteira de 880 quilômetros com o Paquistão. Entre eles haverá soldados que usarão o Stryker, um veículo blindado relativamente rápido e leve, capaz de cruzar as extensas áreas adjacentes à fronteira.

A previsão é de que seja um verão sangüento no Afeganistão. O Taleban lutará bravamente para defender sua grande fonte de renda, e certamente usará como escudo uma grande massa da população civil afegã.

O novo contingente deverá estar no local, em sua totalidade, até 20 de agosto, a fim de proporcionar segurança para a eleição presidencial do Afeganistão. Que Allah proteja os civis inocentes!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A ameaça taliban e a proximidade com o Paquistão

Bom, a essa altura do campeonato, com toda a instabilidade que ronda o Irã, o Paquistão, que também protagoniza novelas no Oriente Médio, resolveu colocar as mangas de fora.



O grupo do taleban, que tanto aterrorizou os Afegãos entre 1996 e 2001 está cada vez mais próximo do Paquistão. Eles começaram a se retirar na sexta-feira de Buner. Sua conquista silenciosa desse distrito paquistanês estava pressionando o governo de Islamabad, tanto pelos dos EUA como de sua própria opinião pública.


Apesar das declarações de firmeza pronunciadas ontem pelo primeiro-ministro, Yusef Raza Gilani, e pelo chefe do exército, general Ashfaq Pervez Kayani, o governo mobilizou apenas algumas centenas de forças paramilitares em Buner. Além disso, grupos de taleban começaram a aparecer em vários distritos vizinhos, segundo testemunhos de seus habitantes. Por isso as autoridades não conseguiram eliminar os temores de que não estão fazendo o suficiente para acabar com a ameaça extremista.
A crescente influência taleban no norte do Paquistão, junto com a perda de controle do governo de Islamabad na área, fizeram soar todos os alarmes no Ocidente sobre a estabilidade do país, o único de população muçulmana que possui a bomba atômica. As autoridades paquistanesas devem tomar medidas para "neutralizar a ameaça" taleban, disse o secretário de Defesa americano, Roberts Gates. Em meias palavras: não basta ter consciência da ameaça, tem que atuar contra ela.


Diante da pressão americana, o governo paquistanês afirma que nada tem a ver com o Afeganistão, e que jamais permitirá que o território do Paquistão caia em mãos de extremistas como o taleban.


É ver para crer.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cingapura finalmente equilibra o secular e o religioso


Fiquei muito feliz de ler uma matéria que saiu hoje no New York Times sobre o ensino em algumas escolas muçulmanas de Cingapura.

Parece que chegou a hora do governo assumir o peso de manter a educação presa ao conservadorismo, com o currículo voltado somente para a religião.

Após começar o dia com orações e cânticos em homenagem ao aniversário do profeta Maomé, os alunos da madrassa (escola muçulmana) Al Irsyad Al Islamiah, em Cingapura, voltam-se para o secular. Em uma aula de química da qual participam apenas garotas o assunto são as substâncias e os ácidos e em outra os alunos estudam inglês, matemática e outras matérias do currículo nacional. Os professores pedem aos alunos que façam perguntas. Alguns, fiéis à adoção das tecnologias modernas pela escola, medem os conhecimentos dos estudantes com dispositivos individuais de avaliação.Os líderes muçulmanos de Cingapura veem a Al Irsyad, com o seu equilíbrio estrito entre estudos religiosos e seculares, como o futuro da educação islâmica, não apenas nesta cidade-Estado, mas em outros locais do sudeste asiático.Duas madrassas na Indonésia já adotaram o currículo e o sistema de gerenciamento da Al Irsyad, atraídas por aquilo que consideram um modelo progressista de educação islâmica afinado com o mundo moderno. Para elas, a Al Irsyad é o contraponto às várias madrassas tradicionais que enfatizam os estudos religiosos em detrimento de tudo o mais. Em vez de pregarem o radicalismo, os livros da escola elogiam a globalização e organizações internacionais como as Nações Unidas. Líderes da educação islâmica de Cingapura lamentam o fato de que, em grande parte do Ocidente, as madrassas de todas as regiões passaram a ser vistas como centros de militância nos quais os alunos passam os dias decorando o Alcorão. Mas eles estão aliviados porque, nos últimos anos, nenhum suspeito de ser terrorista da região foi produto de madrassas cingapurianas, embora alguns deles tivessem vínculos com madrassas da Indonésia e de outros países do sudeste asiático. Essa associação fez com que se aprofundasse o debate a respeito da natureza da educação muçulmana.Graças a Deus, os líderes de Cingapura começaram a enxergar as enormes dificuldades do sistema de educação islâmica. Essas escolas não conseguiram se adaptar ao mundo moderno, e permanecem formando adultos despreparados para lidar com o mundo exterior. Além disso, há o fato de alguns líderes religiosos estarem achando que eles mesmos não estão atendendo às necessidades do Islamismo como uma fé que precisa estar viva, interagindo com outras comunidades e religiões.

O Conselho Religioso Islâmico de Cingapura, um comitê que assessora o governo nas questões muçulmanas, deu a Al Irsyad um local de destaque no seu novo centro islâmico. Sendo há muito a instituição que apresenta o melhor desempenho dentre as seis madrassas do país, a Al Irsyad foi escolhida para figurar no centro como um "modelo demonstrativo”.

Esperamos que essa mentalidade encha os países muçulmanos de novas idéias para mudanças na educação do Oriente Médio, como um todo. As crianças e jovens dessa região precisam crescer voltados para uma nova realidade, cada vez mais marcante em suas vidas.

A semente de um diálogo mais aberto com as comunidades islâmicas está sendo plantada agora. Quem sabe daqui a 30 anos teremos uma nova geração, com mente aberta, voltada para o desenvolvimento e para a parceria com outros países.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Miserable life for some little girls from Saudi Arabia


In Islam, there is no such concept of free will, especially with respect to women folk. They are treated as mere commodities in the hands of men. They are battered, molested, killed when they ask for freedom. To make the situation worse, women have given no say in their own marriage. Girls less than ten years are given away to men over fifty years!



Do you expect women in Islamic countries to breathe?


There are no such laws in Saudi Arabia that define the minimum age for marriage. Although a woman’s permission is legally required, but that’s a different story that some marriage officials do not think it’s necessary to ask them.


Running on the similar lines, recently a case has come up from Saudi Arabia where the court has discardes a divorce plea from eight-year-old girl married to 58-year-old man.


The girl’s mother filed a divorce plea on her behalf but the judge dismissed it saying that she (the mother) has no right to file such a case. And that the girl can only file the plea when she reaches puberty.


This is just a single case but the province is saturated with instances where young girls - who themselves don’t know the meaning of marriage - are actually being given away as wives to old men.


The so called educated men in Islamic nation are likely to nourish the disgusting practice of marrying off prepubescent girls. Fathers and guardians tend to sell their daughters into marriage just for few bucks, further abetting rape.


Instead of feeling guilty about it, poor families find this a profitable bargain, as they receive high bridal fees from the old groom; after all, religious hardliners acts as pillars to support the inhuman regime.


What a miserable life for these little girls.

O que poderá vir após o capitalismo?

O sistema bancário americano enfrenta perdas de mais de US$ 3 trilhões. O Japão está em uma depressão. A China caminha para crescimento zero. Alguns ainda esperam que uma cirurgia de emergência possa restaurar o status quo. Entretanto, cada vez mais pessoas sentem que estamos em um daqueles pontos raros de inflexão quando nada será novamente o mesmo.
O que poderá vir após o capitalismo?
Há poucos anos atrás a pergunta foi abandonada, considerada tão sensível quanto perguntar o que viria após a eletricidade. Mas a lição do próprio capitalismo é de que nada é permanente. Dentro do capitalismo há tantas forças que o minam quanto há forças que o conduzem adiante.
Nas primeiras décadas do século 19, as monarquias da Europa pareciam ter se livrado de seus desafiantes revolucionários, cujos sonhos foram enterrados na lama de Waterloo. Monarcas e imperadores dominavam o mundo e tinham provado ser extraordinariamente adaptáveis. Assim como os atuais defensores do capitalismo, aqueles que os apoiavam podiam argumentar de forma plausível naquela época que as monarquias estavam enraizadas na natureza. Mas assim como a monarquia se deslocou do centro do palco para a periferia, o capitalismo não mais dominará a cultura e a sociedade tanto quanto atualmente. Em resumo, o capitalismo poderá se tornar servo em vez de mestre, e a atual depressão acelerará esta mudança.
O capitalismo tem um relacionamento complicado com a política: às vezes restringido e domado por ela, às vezes buscando dominá-la. O mesmo padrão pode ser visto nos Estados Unidos, onde ambos os partidos estão emaranhados em Wall Street - um motivo para terem tido dificuldade em responder a uma crise como essa.
Há apenas poucas décadas, havia grande interesse no que substituiria o capitalismo. As respostas variavam de comunismo ao gerencialismo, e de esperanças de uma era dourada de lazer a sonhos de um retorno à harmonia comunitária e ecológica. Mas o capitalismo inquieto continuava a fornecer base para a crença de que poderia destruir a si mesmo. O materialismo capitalista minava os incentivos para as pessoas terem filhos, sacrificando renda e prazer pelo esforço árduo da vida familiar. Além disso, há uma vulnerabilidade na questão do consumo: após atender com sucesso as necessidades materiais das pessoas, o capitalismo é ameaçado se então perderem o interesse no trabalho árduo e em ganhar dinheiro, optando pelo aconselhamento da nova era, a anos de pausa de meia-idade e aos fins de semana com três dias. A única resposta do capitalismo é investir cada vez mais na criação de novas necessidades alimentadas pela ansiedade por status, beleza ou massa corpórea, um resultado perverso que pode tornar as sociedades capitalistas desenvolvidas mais problemáticas psicologicamente do que seus pares pobres.
Nos países altamente endividados, simplesmente haverá menos consumo e mais poupança. É uma ironia que muitas das medidas adotadas para lidar com o impacto imediato da recessão, como os pacotes de estímulo fiscal, apontem na direção oposta do que é necessário a longo prazo. Mas já há fortes movimentos para restringir o excesso do consumismo em massa.

O conhecimento também está dividido entre modelos capitalistas e alternativas cooperativas. Há uma década, todas as políticas industriais de cada governo valorizavam a criação e proteção da propriedade intelectual. Mas contrariando as expectativas, modelos diferentes também prosperaram. Uma proporção alta dos programas usados na Internet possui código fonte aberto.
Muitos acontecimentos estão forçando os Estados a considerarem de novo como socializar os novos riscos. As duas últimas acomodações - a do final do século 19 e de meados do século 20- tratavam em sua raiz do risco, enquanto os governos assumiam a tarefa de proteger as pessoas do risco da pobreza na velhice, saúde ruim e desemprego. A China parece destinada a alcançar o Ocidente neste aspecto; ela precisa desesperadamente criar um serviço de saúde e Estado de bem-estar social viável caso o Partido Comunista deseje permanecer legítimo e conter uma reação política contrária aos excessos capitalistas. Para a maioria, o abismo entre o que é necessário e o que é oferecido está crescendo, à medida que a expectativa de vida continua crescendo e a incapacidade se torna a norma.
A tendência mais longa é de ver o produto interno bruto com menos importância do que outras medidas de sucesso social, incluindo o bem-estar.
A crise do capitalismo é, é claro, global, e tem exibido as limitações das instituições globais que foram moldadas há meio século. A China caminha para se tornar um agente dominante em um Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial fortalecidos, seguida pela Índia e Brasil. O G20 está superando o G8 como o clube que importa. E no aguardo estão possíveis novas instituições para policiamento e gestão do carbono.
O resultado é que um grande espaço político está se abrindo. A curto prazo, ele está sendo preenchido com raiva, medo e confusão. A longo prazo ele poderá ser preenchido com uma nova visão do capitalismo, e seu relacionamento tanto com a sociedade e a ecologia, uma visão que será mais clara a respeito do que queremos para crescer e o que não queremos.
No passado as democracias domaram, guiaram e ressuscitaram repetidas vezes o capitalismo. Elas impediram a venda de pessoas, votos, cargos públicos, trabalho infantil e órgãos do corpo, e asseguraram o cumprimento de direitos e regras, assim como despejaram recursos para atender a necessidade do capitalismo de ciência e perícia, e foi desta mistura de conflito e cooperação que o mundo atingiu progresso extraordinário no último século. Nós precisamos reacender nossa capacidade de imaginar, e ver através da tempestade que ainda está se formando o que se encontra além.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A Cabana, de William P. Young

Comprei A Cabana na noite de sábado, na Livraria da Travessa. Confesso que o comprei apenas para responder a seguinte pergunta: por que, afinal, esse livro se tornou um fenônemo de vendas?

The Shak Book, título original, foi publicado nos EUA por uma editora pequena. No Brasil, a Editora Sextante é quem publica o bestseller.

Durante uma viagem de fim de semana, a filha mais nova de Mack Allen Phillips é raptada. Há evidências de que ela foi brutalmente assassinada em uma cabana abandonada. Após quatro anos vivendo muito triste, causada pela culpa e pela saudade da menina, Mack recebe um bilhete estranho, que teria sido escrito por Deus, convidando-o para voltar à cabana onde aconteceu a tragédia.

No retorno ao lugar sombrio, Mack vê tudo se transformar num piscar de olhos, e experimenta o convívio com a Santíssima Trindade, vivendo experiências com Deus, Jesus e o Espírito Santo.
São dois dias de muitas descobertas e ensinamentos, onde Deus leva Mack a entender o verdadeiro sentido da Criação, da vida e da fé.
No fim, Mack supera sua dor e tristeza para retormar à sua vida normal, só que partindo de um outro ponto de vista.

Minha opinião? Os católicos irão gostar do livro, mas no geral, acho que há algumas falhas religiosas nele.
Mas no todo, a linguagem é fácil e o texto é emocionante, ingredientes iniciais de um bestseller.
Indico, contudo, ainda com algumas ressalvas em relação à seu conteúdo.

domingo, 19 de abril de 2009

Delatores: como não lembrar das grandes traições da História?


Eu estava almoçando em um restaurante da Zona Sul do Rio de Janeiro, na última sexta-feira, quando me vi prestando atenção na conversa de uma casal que estava na mesa ao lado. Ambos falavam de traição, mais especificamente política. Acho que comentavam algum caso que tinham lido no jornal.

A falta de companhia no almoço colaborou para que a minha mente viajasse e refletisse sobre as histórias de delação mais famosas que costumamos ouvir; e efetivamente até cheguei a ler algumas coisas sobre isso na internet.

Já pararam para pensar, por 1 minuto, pelo menos, sobre o poder devastador de uma delação?

Não tem como começar a escrever sobre isso sem falar de Judas: nunca houve um traidor como ele. Singularmente mesquinho, seu comportamento é explicado pelos apótolos Lucas e João como "possessão diabólica". Seja como for, ele não teve direito à misericórdia.

A idéia da traição de Judas ficou tão entranhada na mente das pessoas que essa palavra hoje em dia é usada como um grave insulto moral. A arte e a literatura se apoderaram de seu nome para sujá-lo ainda mais.

Existem muitos teólogos e estudiosos que pesquisam a história de Judas, e muito coisa já foi publicada no passado sobre isso.

O teólogo protestante Karl Barth acredita que Judas foi o único apóstolo que agiu conforme a vontade de Deus, entregando Jesus. Orígenes, um teólogo que viveu entre os séculos II e III, via Judas como um colaborador da obra de redenção e, por essa razão, achava que havia se salvado. Santo Agostinho o queria queimando no fogo do inferno, mas não pela traição, e sim pelo suicídio.
Toda essa idéia de que Judas era um seguidor da vontade de Deus é execrada pela Igreja, e tudo isso faz parte de um tipo de literatura não autorizada.

Já que estamos falando em Igreja, não podemos nos esquecer dos famosos tempos da Inquisição, que perduraram até a metade do século XIII.

Em cada cidade, a população era convidada a se confessar livremente. Para conseguir a absolvição, os delatores tinham que confessar suas heresias e delatar as dos outros. Já reconciliados com a Igreja, eles se tornavam delatores em potencial, contribuindo para o massacre protagonizado pela Igreja Católica.

A partir de 1252, a confissão passou a ser precedida de tortura, e os corpos em decomposição seguiam para as fogueiras. Todo mundo era culpado, sobretudo os ricos, que poderiam ter seus bens convenientemente confiscados pela Igreja.

Não podemos nos esquecer também das delações que fizeram parte da Revolução Francesa, um dos mais importantes capítulos da história mundial.
Os assassinatos da Revolução Francesa pareciam legitimar a violência como príncipio do governo revolucionário. E a delação, como seu mais caro acessório.

A consequência do terror na vida cotidiana de Paris era que tudo tinha que acontecer "às claras". A discrição e o segredo passaram a ser sinais graves de conspiração e más intenções.
Robespierre suspeitava de todas as pessoas que vestiam a máscara de virtude, como se só houvessem traidores no mundo. O discurso terrorista resultou em milhares de aprisionamentos e aproximadamente 40 mil execuções.
As pessoas começaram a denunciar os outros da mesma forma que bebiam água, provando seu civismo e alimentando vinganças pessoais. Esse comportamento levou os franceses a tal ponto que ninguém mais se sentia seguro.
Por fim, Robespierre foi deposto e a Comuna de Paris e o partido jacobino deixaram de existir, a burguesia girondina voltou ao poder e a sociedade parisiense pode, finalmente, se reencontrar com a liberdade.
Já que falamos dos franceses, vamos falar um pouco de Brasil também.
Alguém aqui é capaz de esquecer Joaquim Silvério dos Reis? Não.
Para o traidor da Inconfidência Mineira, a deslealdade era um moeda de um lado só, esse foi seu maior erro. Após a delação de Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, sua vida mergulhou em desventuras, sofrimento e solidão.
Joaquim Silvério dos Reis era um homem sem prestígio, quando resolveu entrar no movimento da Inconfidência Mineira para se inserir no meio político dos grandes figurões. Pelo mesmo motivo ele traiu seus companheiros. Tendo acesso a informações privilegiadas, aproveitou-se disso para entregar o líder dos inconfidentes, Tiradentes, que foi enforcado em praça pública.

Considerado como delator por toda a sociedade e, inclusive, por aqueles a quem queria agradar, Joaquim Silvério dos Reis foi preso, perseguido, humilhado e ainda teve seus bens confiscado.

A justiça dessa vez nem se quer tardou, Tiradentes e sua turma foram vingados, e ainda ganharam um feriado.

E quem diria que a famosa delação também teve seu destaque em Hollywood, bem no meio do cinema americano.
A euforia pós Segunda Guerra Mundial contaminou o cinema americano. Com o início da Guerra Fria, tinha início uma época de repressão a todos que tiveram um passado de militância na esquerda.
Um clima de extrema ansiedade tomou conta de Hollywood, que passava a ser conhecida como um foco do comunismo. Isso se deve ao fato de muitos cineastas e artistas terem se declarado simpatizantes do movimento comunista nos anos 30. O FBI acreditava que Hollywood tinha 300 filiados ao PC e 2 mil simpatizantes.
Gary Gopper, Robert Taylor e Walt Disney tiveram que responder a pergunta: "Você é ou já foi membro do partido comunista?".

Sob pressão, alguns caíram na armadilha da delação. Entre eles, o caso mais famoso foi o de Elia Kazan, que denunciou muitos de seus antigos colegas.
Essa política do terror levou vários cineastas ao exílio. Chaplin, por exemplo, emigrou para Suíça.
Só a partir da década de 60 as coisas foram voltando a normal e Holywood pode voltar a respirar com tranquilidade.

O Tigre Branco, de Aravind Adiga


Acabei de ler o livro O Tigre Branco, do indiano Aravind Adiga. Por incrível que pareça, só agora percebi que é o 4º romance indiano seguido que eu leio. Primeiro foram três livros maravilhosos da jornalista indiana Thrity Umrigar (A Distância Entre Nós, A Doçura do Mundo e Um Lugar Para Todos) e agora o de Adiga.


O Tigre Branco foi vencedor do prêmio Man Booker Prize 2008, um importante prêmio de literatura. Aravind Adiga, o autor, é indiano. Morou nos Estados Unidos, Austrália e na Grã-Bretanha. Atualmente está de volta à Índia, morando em Bombaim.


Trata-se de um livro de ficção, um romance original e desconcertante que conta a história da vida de Balram Halwai, um jovem pobre nascido na zona rural da Índia, às margens do Rio Ganges.


Balram conta a história de sua vida através de uma carta que está escrevendo ao Primeiro ministro da China, Mr. Wen Jiabao, que chegará à Índia em poucos dias. O jovem narra ao ministro lições de empreendedorismo, de como se tornar uma pessoa de sucesso na Índia, passando pela descrição da mentalidade de seu povo e contando como as coisas funcionam em seu país.


A narrativa de Balram é fascinante e sarcástica; através dela conhecemos um pouco da Índia moderna, de seus avanços e como isso está refletindo (ou não) na vida da população miserável do país, à margem do desenvolvimento tecnológico e do progresso.


Balram é um rapaz bom e humilde, já desde novo reconhecido na escola por um de seus professores como um "tigre branco", por ter algo de especial que o destacava dos outros. Na natureza, o tigre branco é um animal raro, que nasce apenas um em cada geração de sua espécie.


Na luta pela sobrevivência, Balram se muda para cidade grande e vira motorista de uma luxuosa família. Dia após dia, sua humildade e bondade vão sendo corrompidas pelas imoralidades de uma vida baseada no dinheiro, poder e corrupção.


Vivendo cada vez mais atormentado, Balram planeja o assassinato de seu patrão e o executa com crueldade e frieza. Após isso, foge com uma fortuna de quase 1 milhão de rúpias, muda de nome e se torna um grande empresário indiano, jamais tendo sido reconhecido na rua como o assassino ou tendo sido pego pela polícia.


O romance de Adiga é mais um trabalho na direção de apresentar ao mundo o conflito entre todo o avanço e progresso que vem varrendo as ruas da Índia e o fato de ter a maior parte de sua população subjulgada à miséria, opressão e fracasso.

domingo, 12 de abril de 2009

A Índia volta ao colchão



E mais um país abalado com a nova crise internacional: Índia. E por que seria diferente?


A queda das ações no país já prejudicou muitos investidores, grandes ou pequenos. Nos últimos anos, investidores mais cautelosos estavam diversificando suas aplicações, evitando depósitos bancários e dinheiro vivo. Entretanto, não demorou muito e a crise os levou de volta à segurança dos depósitos bancários, reduzindo o volume de capital disponível para outros instrumentos, que, consequentemente, retardou o crescimento da indústria de servições financeiros.


O alto índice de poupança da Índia foi um dos motores de arranque da economia. Forneceu capital produtivo e iniciou um ciclo de maior crescimento, renda e mais poupança.


À medida que o crescimento real do PIB acelerou e a economia se abriu, muitos chegaram a pensar que os indianos mudariam hábitos milenares de vida e se tornariam mais consumistas. terrível engano: a prosperidade do país aumentou ainda mais os índices da poupança.


Vale lembrar que um dos motivos para o povo indiano ser tão cauteloso é o sistema previdenciário precário: somente 10% da população trabalhadora é coberta por um plano de aposentadoria. Ainda temos a cobertura dos planos de saúde, que é muito baixa.


Grande parte da poupança indiana está investida em ativos físicos improdutivos, por exemplo, casas, jóias e bens duráveis. Isso tudo está sendo transformado muito lentamente em ativos financeiros, e o governo está ávido por encontrar novas maneiras de incentivar a mudança de pensamento do povo indiano.


Afinal, a vaca sagrada se ficar rica dará leite ninho ou continuará no tradicional?