domingo, 25 de outubro de 2009

Flavors of Entanglement





Embora fã assumida da Alanis, apenas recentemente comprei seu último CD, o "Flavors of Entanglement".

O sétimo álbum de estúdio da cantora foi lançado em meados do ano passado, e, claro, estourou nas paradas de sucesso, assim como todos os outros.

De cara posso dizer que me surpreendi ao ouvir esse CD. Após tanto ter escutado o Unplugged - um rock sutil e delicado - e o Supposed Former - um rock mais pesado, com letras mais densas - mal pude acreditar nesse novo álbum: totalmente pop.

Em algumas músicas, as batidas são tão intensas e o ritmo tão dançante que você entra no clima de estar em uma balada. Impressionante.

Se é uma crítica? Não, absolutamente. Pelo contrário, a versatilidade dessa artista é de encantar qualquer público.

Se viemos ao mundo para experimentar coisas novas, um brinde aos artistas que se atrevem a fazê-lo, inovando e enriquecendo seus estilos e trabalhos musicais.

sábado, 24 de outubro de 2009

Passos de caranguejo




Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Relações Internacionais, fui convidada para trabalhar em uma editora. Na verdade, uma holding (a maior do mercado editorial brasileiro), na gestão da área de royalties das 5 empresas do grupo.

O trabalho consiste em, além de liderar uma equipe de sete analistas de royalties, gerir os pagamentos de royalties das empresas a todos os nossos parceiros espalhados pelo Brasil e pelo mundo (literalmente): EUA, Canadá, França, Espanha, Alemanha, Itália, Indonésia, Austrália, Argentina, etc.

Emails que não param de chegar de todos os lugares do planeta, telefone que não para de tocar, reuniões - produtivas ou não - e uma série de decisões estratégicas para a empresa.

Legal, né? Sim, é de fato bom estar no mercado e ver os frutos do seu próprio trabalho.

Porém, há quase dois meses venho trabalhando as longas oito horas diárias e encarando maratonas de acesso remoto em casa (até 11 hs - meia noite). Com isso, vieram as fortes dores de cabeça, alterações constantes de humor, cansaso físico e mental, insônia, aflições no estômago, enjôos, etc.

Suficientes para eu dar um basta em mim mesma. That's is enough!

Se vivo assim aos 25 anos, que saúde terei aos 40?

É a sociedade do consumo!... que se "rendeu" frente as forças do sistema capitalista e que, portanto, seus critérios e bases culturais estão tão distantes do estado de natureza tão polêmico e comentado por Locke, Hobbes e Rousseau.

Tentando me redimir de mim mesma, por ter ficado tanto tempo longe de coisas que eu amo fazer, hoje fui ao shopping e comprei muitos cds e livros para ler.  Entre eles, um muito interessante, chamado "De Cuba, com carinho", da filóloga e famosa blogueira cubana Yoani Sánchez.

Vejo as pessoas estão intensamente envolvidas em estudar, trabalhar, alcançar, construir, conseguir, ter...ter...ter...

A sociedade moderna, que tanto valoriza o "ter", esquece que, desde os primórdios, o "ser" foi, é, e sempre será a origem das melhores coisas da vida.

Não é a toa que caminhamos em passos de caranguejo...


domingo, 4 de outubro de 2009

China: aliado ou inimigo americano na questão nuclear iraniana?



O presidente Barack Obama, em sua primeira visita à abertura da Assembléia Geral, obteve progressos na quarta-feira em duas questões-chave, cruciais para sua agenda de política externa, ao obter uma concessão da Rússia de considerar novas sanções duras contra o Irã e obtendo o apoio de Moscou e de Pequim para uma resolução do Conselho de Segurança para coibir a proliferação de armas nucleares.

Se as palavras de Medvedev se traduzirão em uma ação forte assim que o assunto retornar ao Conselho de Segurança é algo que ainda precisa ser visto. As autoridades americanas já ficaram decepcionadas antes com a rejeição de Moscou por sanções duras, e o primeiro-ministro Vladimir V. Putin pareceu colocar em dúvida a necessidade de sanções mais duras na semana passada. Mas Obama também recebeu outro apoio da Rússia, assim como da China, quando os dois países concordaram em apoiar o fortalecimento do Tratado de Não-Proliferação Nuclear em uma sessão do Conselho de Segurança, marcada para quinta-feira.

Em entrevista ao "Spiegel", Ali Akbar Salehi, diretor-geral da Organização de Energia Atômica do Irã, fala sobre as exigências feitas pelo Ocidente a Teerã, as futuras conversas sobre a questão nuclear entre o Irã e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU em 1º de outubro e as consequências de sanções mais rígidas.

Segundo ele, o Irá jamais vai abrir mão dos programas de enriquecimento de urânio para fins civis; nem nesse governo, nem em nenhum outro. Aacrescentou, ainda, que o fato de o Ocidente repetir insistentemente que o enriquecimento de urânio é para fins nucleares não torna o fato uma verdade.
De qualquer jeito, é importante que os EUA atentem para o fato de que, apesar dessa disposição em apoiá-los, a China mantém relações com o Irã e não vê da mesma forma que os EUA essa ameaça relacionada as questões nucleares. Em agosto, quase ao mesmo tempo em que os americanos chegavam à China, Teerã e Pequim fecharam outro acordo, desta vez de US$ 3 bilhões, que abrirá o caminho para a China ajudar o Irã a expandir mais duas refinarias de petróleo.

Os Estados Unidos quase não possuem laços financeiros com o Irã, consideram seu governo uma ameaça à estabilidade global e temem que uma ascensão de Teerã possa ameaçar as alianças e acordos de energia dos Estados Unidos no Golfo Pérsico.

Por sua vez, os laços econômicos da China com Teerã estão crescendo rapidamente, e os líderes da China veem o Irã não como uma ameaça, mas como um aliado potencial. Nem os chineses ficariam preocupados, prossegue o raciocínio, caso um Irã dotado de armas nucleares minasse a influência americana na região e drenasse os recursos do Pentágono em mais manobras no Oriente Médio. Além disso, a China depende muito das vastas reservas de energia do Irã - talvez 15% dos depósitos de gás natural do mundo e um décimo do seu petróleo - para compensar sua própria escassez. Estima-se que os chineses tenham US$ 120 bilhões destinados a projetos de gás e petróleo iranianos e a China é o maior mercado para exportação do petróleo iraniano nos últimos cinco anos. Em troca, o Irã tem importado ferramentas, maquinário de fábrica, locomotivas e outros bens pesados da China, transformando a China em um de seus maiores parceiros comerciais.

Apoiar sanções mais fortes poderia elevar a imagem da China como líder diplomática global, mas os Estados Unidos, e não a China, colheriam os verdadeiros benefícios. A China não está ansiosa para embarcar neste trem americano.

Obama e a derrota de Chigago


Mesmo após Chicago ter sido eliminada, os críticos ridicularizavam a viagem de Barack Obama a Chicago como sendo um exercício equivocado de "ginástica verbal". Mas o embaraço desta sexta-feira, com a eliminação da cidade no primeiro turno, provavelmente causará mais problemas a Obama nos Estados Unidos."Não vejo isso como um repúdio ao presidente ou à primeira-dama", afirmou David Axelrod, assessor de Obama e, assim como este, também ex-morador de Chicago. "A iniciativa não deu resultado, mas valeu a pena."

Nesta sexta-feira, vários profissionais da mídia, que já vinham questionando as prioridades do presidente, juntaram-se aos críticos direitistas de Obama. De maneira mais imediata, é provável que a rejeição faça aumentar as dúvidas quanto à suposta confiança exagerada de Obama em si mesmo. Embora ele tenha passado apenas algumas horas na capital dinamarquesa, e apesar do fato de que outros líderes estivessem presentes para fazer pressão pela escolha de suas cidades, Barack Obama fez a defesa de Chicago com base nas suas biografias. Ao personalizar a defesa da cidade, colocou a sua reputação em jogo.

A derrota de Chicago também deverá reduzir o foco no sucesso de Obama nesta quinta-feira em Genebra, onde os Estados Unidos persuadiram o Irã a abrir para inspeções a sua segunda instalação para enriquecimento de urânio. Aquele momento foi, sem dúvida, uma comprovação da eficácia da estratégia de negociações usada por Obama. Nesta sexta-feira ele descreveu os esforços para que Chicago fosse escolhida como parte da sua iniciativa geral no sentido de voltar a conversar com o mundo.

Os apoiadores de Obama temem que o presidente tenha fornecido munição fácil aos críticos conservadores do diálogo internacional - uma postura que baseia-se implicitamente nos charmes persuasivos do presidente. Bill Gatson, um analista experiente, afirma: "O momento foi infeliz porque isso estraga uma boa história vinda de Genebra no que diz respeito ao Irã. A mídia em Washington é como um bando de jogadores de futebol de seis anos de idade: todos eles correm atrás da mesma bola".

Nesta quinta-feira, Rahm Emanuel, o chefe de gabinete de Obama, que também é de Chicago, provocou os críticos do presidente: "Nós garantiremos que eles terão alguns bons assentos assim que Chicago for escolhida para sediar os jogos olímpicos", disse ele à ABC News.