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terça-feira, 18 de maio de 2010

Irã: mais uma vitória do Brasil no exterior



O chanceler Celso Amorim afirmou nesta terça-feira que irá reagir dentro do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra as sanções anunciadas contra o Irã. Muito bom, Brasil. O CS é algo ultrapassado e sabemos disso. Temos que combater essa reta sem fim e mostrar que as bifurcações também existem!

A proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU com sanções contra o Irã, elaborada pelos EUA, Rússia e China prevê punições a bancos e outras empresas do país, além da criação de um regime internacional de inspeções em navios suspeitos de transportar cargas relacionadas aos programas nuclear e de mísseis.  

A quarta rodada de sanções ao Irã ampliaria o embargo armamentista já em vigor contra o país, incluindo novas categorias de armamentos pesados.  

A troca de urânio iraniano em solo exterior era tema da proposta feita pelo grupo dos 5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha) em outubro passado, sob mediação da AIEA. Na época, o Irã rejeitou a proposta por falta de garantias da entrega do urânio enriquecido e, em fevereiro passado, iniciou o enriquecimento de urânio a 20% em seu próprio território.  

Está clara a liderança do Brasil nesse cenário, o que só reforça ainda mais a necessidade de rever a ONU e sua formação arcaica.

domingo, 9 de maio de 2010

UE mobiliza seus membros



Ministros das Finanças da União Européia estão se reunindo em Bruxelas neste domingo para discutir a criação de um novo "mecanismo de estabilização" para prevenir que a crise financeira que atinge a Grécia se alastre para outros países do bloco.

Eles irão debater a possibilidade de estender o financiamento de emergência, que hoje só está disponível para países que não fazem parte da zona do euro. Os ministros também estariam discutindo um sistema de garantias para empréstimos que pode valer bilhões de euros.

Bom, as autoridades esperam que as garantias de pagamento de empréstimos possam prevenir que a crise na Grécia se alastre para outros países com alto déficit ou dívidas, como Portugal e Espanha.

Na sexta-feira, chefes de governo dos 16 países que compõem a zona do euro aprovaram, em um encontro em Bruxelas, o pacote de 110 bilhões de euros, em parceria com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de ajuda à Grécia. É o maior pacote já aprovado, mas, euforias a parte, é infinitamente menor do que o necessário.

Em troca dessa singela ajuda, o governo da Grécia deve cortar os gastos públicos e aumentar os impostos para reduzir o déficit orçamentário do país, que chegou a de 12,7% do PIB e está quatro vezes acima do previsto pelas regras da zona do euro.

A possibilidade de a Grécia ou um desses outros países não conseguir pagar suas dívidas é considerada a maior ameaça já enfrentada pela moeda única da europa. A rigidez do sistema monetário europeu, que ajuda algumas vezes, agora atrapalha. 

A pergunta fica no ar para discussão: a UE vai se manter intacta ou será de maior valia para os países saírem do bloco para flexibilizar suas estratégias de ação?


quarta-feira, 31 de março de 2010

O Irã e sua novela

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) chegaram a um consenso nesta quarta-feira sobre a quarta rodada de sanções contra o Irã, por seu controverso programa nuclear, e devem começar a rascunhar o documento nos próximos dias, disse uma fonte ligada as negociações. 

A fonte, que falou em condição de anonimato à agência de notícias Reuters, afirmou que representantes do Reino Unido, Estados Unidos, França, Rússia e da Alemanha (que não é membro permanente, mas participa dos esforços) chegaram a um acordo com a reticente China durante uma conferência por telefone. 

Isso é bem previsível: a China, que tem no Irã um importante fornecedor de petróleo, mostra-se oficialmente relutante em aceitar uma quarta rodada de sanções contra o Irã e defende a diplomacia e negociações sobre o controverso programa nuclear iraniano. Como membro permanente, ela tem poder de vetar qualquer proposta de sanção apresentada no Conselho. 

As potências ocidentais acusam Irã de manter um programa nuclear para produzir armas. Teerã nega a acusação e diz ter apenas fins pacíficos. 

O Irã recusou um projeto de acordo apresentado pelas seis potências em outubro do ano passado, com a mediação da Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA). O projeto previa que a entrega por parte do Irã à Rússia de 1.200 quilos de urânio enriquecido a 3,5% para o enriquecimento a 20%, antes de ser transformado pela França em combustível para o reator de pesquisas de Teerã, que fabrica isótopos para produtos médicos. 

Teerã justificou a recusa com a afirmação de que o projeto de acordo não apresentava as garantias necessárias para a entrega do combustível. Depois disso, o país apresentou uma contraproposta para um intercâmbio gradual e oscilou acenos de diálogo com duras declarações sobre a soberania de seu programa nuclear. 

Com a paralisação das negociações, o Irã começou a enriquecer o urânio a 20% em fevereiro passado, m,esmo diante da repreensão das potências. Desde então, os EUA lideram uma campanha pela nova rodada de sanções. 

A Rússia, outro membro relutante com as sanções ao Irã, cedeu e admitiu a possibilidade de aprovar o novo pacote. O último obstáculo era justamente a China que, segundo diplomatas, está vagarosa e relutantemente aproximando sua postura com a das demais potências sobre o Irã.

 Os EUA afirmam que não é interessante para a China uma corrida nuclear com o Oriente Médio. De fato, mas não vamos esquecer que o Irã é um dos maiores parceiros comerciais chineses.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Malvinas: Argentina e Grã-Bretanha seguem com disputa


Quase 30 anos após a Guerra das Malvinas (sendo que o território é disputado desde 1833), os desentendimentos entre Argentina e Grã-Bretanha continuam, principalmente após a valorização dos hidrocarbonetos nos últimos anos.

Agora, a questão gira em torno da exploração do Petróleo na região, que permanece sob jurisdição inglesa.
Embora a  Argentina defenda a soberania das ilhas, as Nações Unidas, por exemplo, não vão arbitrar sobre o assunto e pedem que os dois países cheguem a um acordo.

Com as decisões unilaterais desaprovadas pelo cenário internacional, a Argentina busca confiante o apoio dos de países parceiros, como o Brasil, por exemplo.

O governo brasileiro já manifestou que pretende apoiar o vizinho (Claro! Afinal, nessa nova era da energia, não faz sentido nenhum ficarmos do lado Europeu), mas ainda não esclareceu em que termos.


domingo, 22 de novembro de 2009

De cuba, com carinho



Na sexta-feira pela manhã terminei de ler o livro "De Cuba, com carinho", da famosa blogueira cubana Yoani Sanchez. O livro é um apanhado maravilhoso dos melhores textos - selecionados pela própria autora - de seu polêmico blog Generación Y, que, com milhões de acessos mensais, foi eleito um dos 25 melhores blogs do mundo. Da mesma forma., Yoani foi eleita pela revista Time uma das mulheres mais influentes do mundo.

Vale citar que em Cuba a compra de computadores é proíbida, assim como o acesso a internet. Somente estrangeiros residentes no país e pessoas autorizadas pelo governo podem desfrutar desse "luxo". Yoani conta com uma rede de amigos e seguidores em  vários países, especialmente cubanos que vivem no exterior, para postar seus textos clandestinamente. Enquanto não era uma pessoa pública, era ainda conseguia se passar por estrangeira - com pele branca, herdada dos avós espanhóis - e acessar a internet em hóteis, pubs e cafés, quando tinha algum dinheiro.

A autora se concentra em relatar - da forma mais sagaz, inteligente e sarcástica possível, -o cotidiano da vida na Ilha. Ela aborda temas como o racionamento dos alimentos, a precariedade da saúde e educação, pirataria e contrabando, como também faz duras críticas políticas e ideológicas ao governo de Fidel e Raul Castro. Denomina Cuba, com pesar, como "um país encalhado no tempo".

Um dos melhores textos é o "Venha e viva essa experiência", onde Yoani convida os turistas à visitarem Cuba, mas não da forma como geralmente o fazem. Ela narra como seria o desafio de passar uma temporada na Ilha vivendo como os cubanos realmente vivem e tendo que lidar com uma série de problemas e limitações cotidianas.

Enfim, é uma leitura muito interessante e de linguagem fácil. Está mais do que indicado!


domingo, 8 de novembro de 2009

Yoani Sanchez: presa e torturada


Hoje saiu em vários jornais a prisão da famosa e polêmica blogueira cubana Yoani Sanchéz por oficiais do governo. Ela foi presa e espancada após se unir a amigos para participar de um protesto contra a violência. Chegou a pedir ajuda e socorro pelas ruas por estar sendo arrastada, mas os passantes nada fizeram, detidos pelos gritos dos oficiais "Se afastem! São contrarrevolucionários!".

Estou pasma com isso tudo. Tenho a impressão que a maioria das pessoas no mundo desconhece a atual situação dos moradores de Cuba. Eu mesma fiquei impressionada com as coisas que li e soube após começar a ter contato com o Generación Y, o blog da Yoani, e seu livro "De Cuba, com carinho".

Devaríamos de fato ajudá-la a chamar atenção para esse caquético e falido regime, que submete as pessoas a total falta de liberdade, em todos os sentidos. É inconcebível, nos dias de hoje, as pessoas serem proibidas de comprar computadores e de ter acesso a internet, e - muito pior do que isso - não terem direito a liberdade de expressão, de ir e vir e de viver como seres humanos.

Que a velhice e o odor fétido dessa ditadura sejam enterrados com a morte de Fidel Castro, um dia!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Juanita Castro


Últimamente, após entrar em contato direto e diário com os textos de Yoani Sanchéz, tenho lido bastante sobre Cuba. Há pouco li um texto interessante sobre a irmã de Fidel, que, incluvise, acabou de lançar um livro polêmico sobre a família Castro.

Juanita Castro, irmã de Fidel e Raúl Castro, revelou ter trabalhado para a Agência Central de Inte­­ligência dos Estados Unidos (CIA) depois de ter sido recrutada pela esposa do então embaixador brasileiro em Havana. A revelação foi feita em entrevista transmitida no domingo pela emissora Univisión.
Hoje com 76 anos, Juanita apoiou inicialmente Fidel quando o grupo dele derrubou o ditador Fulgencio Batista. Rapida­men­­te, porém, desiludiu-se pelo grande número de execuções e outros abusos da revolução, disse ela durante entrevista ao canal hispânico de Miami.

A casa dela converteu-se em um refúgio para anticomunistas, antes que a própria Juanita decidisse deixar o país, em 1964, quan­­do se exilou no México.

Juanita afirma que foi recrutada para trabalhar pela CIA por Vir­­ginia Leitão da Cunha, mulher do então embaixador do Brasil em Havana, Vasco Leitão da Cunha, que posteriormente foi ministro das Relações Exteriores, entre 1964 e 1966.

Juanita Castro disse que colaborou com a CIA enquanto estava em Cuba e também depois de sua partida. Posteriormente, ela se exi­­lou em Miami e abriu uma farmácia.

Recentemente, Juanita lançou suas memórias, “Fidel e Raúl, meus irmãos. A história secreta”, pela editora Santillana. O livro foi escrito pela jornalista María Antonieta Collins, a partir de uma entrevista. A irmã de Fidel disse que o primeiro contato da CIA ocorreu pouco após a fracassada invasão da Baía dos Porcos, quando ela viajou pa­­ra o México para se reunir com o funcionário encarregado de seu recrutamento, em 21 de junho de 1961. Ela contou em detalhes que Leitão da Cunha e sua mulher ha­­viam abrigado muitos revolucioná­­rios durante a ditadura de Ba­­tis­­ta, e simpatizaram inicialmente com o governo Fidel, mas posteriormente ficaram decepcionados.

Segundo Juanita, ela e Virgínia viajaram separadamente para o México para se encontrar com Tony Sforza, um dos especialistas da CIA em Cuba. Juanita via­­jou com o pretexto de visitar uma irmã, a quem nunca mencionou o assunto. Sforza trabalhava infiltrado em Cuba, passando-se por jogador de cassino com o nome falso de Frank Stevens. Juanita recebeu o nome de “agente Donna” e teve como primeira missão entregar dinheiro a homens da CIA na ilha.

A CIA se comunicava com ela por mensagens cifradas em um rádio de ondas curtas. Antes da crise dos mísseis, Juanita passou informações à CIA de que foguetes soviéticos eram instalados em Cuba, e também sobre visitas dos russos à ilha. A agência decidiu afastá-la de Cuba depois que Raúl foi dizer à irmã que havia acusações contra ela por supostas atividades contrarrevolucionárias. Aparente­­men­­te, não haviam descoberto sua ligação com a CIA. Juanita afir­­ma que foi Raúl quem lhe conseguiu um visto para viajar ao México. Chegando ao país, ela es­­creveu um texto rompendo com a revolução.

“Comecei a me desencantar com o regime quando vi tanta injustiça”, afirmou Juanita na entrevista, referindo-se às prisões, aos fuzilamentos e aos confiscos do governo revolucionário.

O blecaute de Chaves



A impopularidade de Chaves aumentou ultimamente frente a população venezuelana, considerando o fracasso no abastacimento e distribuição de energia. 

Apesar de a Venezuela ter sido inundada pela riqueza do petróleo nos últimos anos à medida que os preços da energia subiram, a raiz do problema está na persistente falta de investimentos para manter e expandir as redes de água e luz (há de se lembrar também, claro, da má administração crônica, falta de planejamento e a corrupção).

Chaves não assume a raiz do problema, e o El Niño - coitado - continua levando a culpa.

Bom, vamos aguardar e ver como será seu desempenho nas eleições para o legislativo no ano que vem.

p.s. e apague a luz quando sair.

domingo, 4 de outubro de 2009

China: aliado ou inimigo americano na questão nuclear iraniana?



O presidente Barack Obama, em sua primeira visita à abertura da Assembléia Geral, obteve progressos na quarta-feira em duas questões-chave, cruciais para sua agenda de política externa, ao obter uma concessão da Rússia de considerar novas sanções duras contra o Irã e obtendo o apoio de Moscou e de Pequim para uma resolução do Conselho de Segurança para coibir a proliferação de armas nucleares.

Se as palavras de Medvedev se traduzirão em uma ação forte assim que o assunto retornar ao Conselho de Segurança é algo que ainda precisa ser visto. As autoridades americanas já ficaram decepcionadas antes com a rejeição de Moscou por sanções duras, e o primeiro-ministro Vladimir V. Putin pareceu colocar em dúvida a necessidade de sanções mais duras na semana passada. Mas Obama também recebeu outro apoio da Rússia, assim como da China, quando os dois países concordaram em apoiar o fortalecimento do Tratado de Não-Proliferação Nuclear em uma sessão do Conselho de Segurança, marcada para quinta-feira.

Em entrevista ao "Spiegel", Ali Akbar Salehi, diretor-geral da Organização de Energia Atômica do Irã, fala sobre as exigências feitas pelo Ocidente a Teerã, as futuras conversas sobre a questão nuclear entre o Irã e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU em 1º de outubro e as consequências de sanções mais rígidas.

Segundo ele, o Irá jamais vai abrir mão dos programas de enriquecimento de urânio para fins civis; nem nesse governo, nem em nenhum outro. Aacrescentou, ainda, que o fato de o Ocidente repetir insistentemente que o enriquecimento de urânio é para fins nucleares não torna o fato uma verdade.
De qualquer jeito, é importante que os EUA atentem para o fato de que, apesar dessa disposição em apoiá-los, a China mantém relações com o Irã e não vê da mesma forma que os EUA essa ameaça relacionada as questões nucleares. Em agosto, quase ao mesmo tempo em que os americanos chegavam à China, Teerã e Pequim fecharam outro acordo, desta vez de US$ 3 bilhões, que abrirá o caminho para a China ajudar o Irã a expandir mais duas refinarias de petróleo.

Os Estados Unidos quase não possuem laços financeiros com o Irã, consideram seu governo uma ameaça à estabilidade global e temem que uma ascensão de Teerã possa ameaçar as alianças e acordos de energia dos Estados Unidos no Golfo Pérsico.

Por sua vez, os laços econômicos da China com Teerã estão crescendo rapidamente, e os líderes da China veem o Irã não como uma ameaça, mas como um aliado potencial. Nem os chineses ficariam preocupados, prossegue o raciocínio, caso um Irã dotado de armas nucleares minasse a influência americana na região e drenasse os recursos do Pentágono em mais manobras no Oriente Médio. Além disso, a China depende muito das vastas reservas de energia do Irã - talvez 15% dos depósitos de gás natural do mundo e um décimo do seu petróleo - para compensar sua própria escassez. Estima-se que os chineses tenham US$ 120 bilhões destinados a projetos de gás e petróleo iranianos e a China é o maior mercado para exportação do petróleo iraniano nos últimos cinco anos. Em troca, o Irã tem importado ferramentas, maquinário de fábrica, locomotivas e outros bens pesados da China, transformando a China em um de seus maiores parceiros comerciais.

Apoiar sanções mais fortes poderia elevar a imagem da China como líder diplomática global, mas os Estados Unidos, e não a China, colheriam os verdadeiros benefícios. A China não está ansiosa para embarcar neste trem americano.

Obama e a derrota de Chigago


Mesmo após Chicago ter sido eliminada, os críticos ridicularizavam a viagem de Barack Obama a Chicago como sendo um exercício equivocado de "ginástica verbal". Mas o embaraço desta sexta-feira, com a eliminação da cidade no primeiro turno, provavelmente causará mais problemas a Obama nos Estados Unidos."Não vejo isso como um repúdio ao presidente ou à primeira-dama", afirmou David Axelrod, assessor de Obama e, assim como este, também ex-morador de Chicago. "A iniciativa não deu resultado, mas valeu a pena."

Nesta sexta-feira, vários profissionais da mídia, que já vinham questionando as prioridades do presidente, juntaram-se aos críticos direitistas de Obama. De maneira mais imediata, é provável que a rejeição faça aumentar as dúvidas quanto à suposta confiança exagerada de Obama em si mesmo. Embora ele tenha passado apenas algumas horas na capital dinamarquesa, e apesar do fato de que outros líderes estivessem presentes para fazer pressão pela escolha de suas cidades, Barack Obama fez a defesa de Chicago com base nas suas biografias. Ao personalizar a defesa da cidade, colocou a sua reputação em jogo.

A derrota de Chicago também deverá reduzir o foco no sucesso de Obama nesta quinta-feira em Genebra, onde os Estados Unidos persuadiram o Irã a abrir para inspeções a sua segunda instalação para enriquecimento de urânio. Aquele momento foi, sem dúvida, uma comprovação da eficácia da estratégia de negociações usada por Obama. Nesta sexta-feira ele descreveu os esforços para que Chicago fosse escolhida como parte da sua iniciativa geral no sentido de voltar a conversar com o mundo.

Os apoiadores de Obama temem que o presidente tenha fornecido munição fácil aos críticos conservadores do diálogo internacional - uma postura que baseia-se implicitamente nos charmes persuasivos do presidente. Bill Gatson, um analista experiente, afirma: "O momento foi infeliz porque isso estraga uma boa história vinda de Genebra no que diz respeito ao Irã. A mídia em Washington é como um bando de jogadores de futebol de seis anos de idade: todos eles correm atrás da mesma bola".

Nesta quinta-feira, Rahm Emanuel, o chefe de gabinete de Obama, que também é de Chicago, provocou os críticos do presidente: "Nós garantiremos que eles terão alguns bons assentos assim que Chicago for escolhida para sediar os jogos olímpicos", disse ele à ABC News.

domingo, 6 de setembro de 2009

Obama: 8 meses de governo

Texto interessante do El País.
05/09/2009
Depois de oito meses de graça, o presidente dos EUA deve traduzir a poesia de seu mandato em prosa

Francisco G. Basterra
Obama teve um agosto ruim e começa o outono em que vai ter de optar, coisa que até agora evitou enquanto cavalgava à vontade uma mídia acrítica e sua magia retórica. Mas já em Washington, depois das férias na exclusiva ilha de Martha's Vineyard, consumido um longo período de graça de mais de oito meses, precisa traduzir a poesia de seu mandato em prosa. E tem de fazê-lo em dois assuntos de vida e morte para sua presidência: a guerra no Afeganistão, que é "sua guerra", e a reforma da saúde, encalhada no Congresso e submetida durante o verão a um duro castigo de desinformação maciça e calúnia, organizado por grupos de extrema-direita, que calou em uma população para a qual, majoritariamente, as palavras "governo" e "público" continuam sendo obscenas.
Obama irá nesta quarta-feira ao Capitólio para explicar diante das duas câmaras do Congresso por que os EUA precisam reformar em profundidade uma saúde que deixa fora de seu guarda-chuva 46 milhões de americanos e ameaça quebrar as contas públicas. Como é possível que, controlando o Congresso com maiorias absolutas, a principal reforma da presidência Obama esteja ameaçada?Muitos acreditaram que a chegada de Obama significava que os EUA estavam se europeizando. Um erro. O Congresso de Washington não opera com a disciplina partidária do voto como fazem os Parlamentos europeus: os deputados pensam sobretudo em sua reeleição, e não em salvar sempre seu chefe, mesmo que esteja na Casa Branca. A recessão assustou os americanos, que veem aliviados a recuperação temporária do papel de salva-vidas do Estado, mas empalidecem diante da remota possibilidade de que seu mundo, geneticamente individualista, importe um "socialismo" à europeia.Obama quis oferecer tudo ao mesmo tempo: aumento da cobertura até quase 100%; redução de custos de saúde; dupla opção, a privada atual e a oferta pública como novidade que atrai os sindicatos e a esquerda democrata. O consenso total é impossível. Obama, em busca de um compromisso que o faria parecer o grande conciliador, poderia suprimir, para salvar a reforma, a opção de um seguro público garantido pelo Estado, em concorrência com os atuais seguros privados.Jean Edward Smith, autor do livro "F.D.R.", lembra ao presidente em "The New York Times" que governar implica optar, e que não tenha medo de aplicar sua ampla maioria contra a dissensão da minoria. Pede-lhe que faça como Roosevelt no New Deal, quando não pediu permissão aos banqueiros para criar a SEC, a instituição que regula os excessos de Wall Street.O Afeganistão e a crescente ameaça de fracasso, prevista por "The Economist" - um assunto internacional que também afeta os europeus e a Espanha: temos mobilizados ali 1.200 soldados, de um total de 110 mil soldados ocidentais, que nesta semana entraram em combate -, também obscurece o outono de Obama e poderia se transformar no Vietnã do jovem presidente.Obama a considera uma guerra "necessária" e portanto justa, diante das guerras "opcionais" escolhidas por motivos políticos, como foi a do Iraque. Em pleno agosto, afirmou diante de um grupo de veteranos que "o Afeganistão não é só uma guerra que vale a pena lutar. É fundamental para a defesa de nossa população".Obama não havia dado por concluída a guerra ilimitada contra o terrorismo declarada pelos neocons de Bush? Os objetivos da guerra são confusos e não são compreendidos pelas opiniões públicas americana e europeia; os chefes da Al Qaeda estão no Paquistão. As eleições afegãs foram um fracasso; Karzai, rodeado de narcotraficantes e senhores da guerra, carece de legitimidade e preside um governo corrupto; a insurgência taleban é cada vez mais audaciosa e mais preparada; a proteção à população afegã exigiria 500 mil soldados (um para cada 50 habitantes), estimam os militares americanos, já que psicologicamente e em campo os taleban estão ganhando e para eles ganhar é não perder.O Pentágono está a ponto de pedir a Obama uma escalada bélica. Crescem nos EUA, também entre os democratas, a ideia de que a guerra não pode ser ganha e os pedidos de um calendário de retirada. O colunista conservador George F. Will lembra a Obama as palavras de De Gaulle, que, referindo-se à decisão de Bismarck, que em 1870 deteve as tropas alemãs às portas de Paris, disse que "O gênio às vezes consiste em saber quando parar".
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

sábado, 25 de julho de 2009

A queda das cinzas muçulmanas na China

O milenar centro histórico da maior cidade de maioria muçulmana da China começou a ser destruído em março.
Até o final do ano que vem, 13 mil famílias serão removidas e as antigas mesquitas, minaretes, casinhas e vielas serão substituídas por prédios modernos, um shopping center e algumas réplicas dos prédios antigos.
Segundo Xu Jianrong, vice-prefeito de Kashgar, disse ao jornal New York Times, a destruição do centro histórico se deve a possibilidade de terremotos na região. As novas construções seriam mais resistentes e "queremos proteger Kashgar", afirmou.
Há mais de mil anos, o oásis de Kashgar transformou a cidade em um dos principais pontos de encontro entre mercadores chineses, persas e indianos da legendária Rota da Seda. Hoje ela pertence à Província de Xinjiang, no extremo ocidental da China.
Kashgar recebe 1 milhão de turistas por ano. "O Caçador de Pipas" foi filmado lá. Mas em um projeto para se declarar a Rota da Seda como Patrimônio Cultural da Humanidade, o governo chinês deixou Kashgar de fora.
Com 90% dos 350 mil habitantes da minoria muçulmana uigur, que fala turco e mora mais perto da Turquia ou do Irã que de Pequim, Kashgar simboliza o mal-estar entre a minoria uigur com a China.
Kashgar isolada
Na mesma semana em que violentos protestos mataram 156 pessoas e deixaram 1000 feridos, segundo o governo chinês, em Urumqi, capital da Província de Xinjiang, Kashgar ficou virtualmente isolada.
Houve confrontos entre uigures e a polícia, mas as imagens não circularam _ o governo cortou a internet em toda a cidade e "recomendou" a jornalistas e turistas estrangeiros deixarem a cidade. O que na China significa que policiais podem deter repórteres e encaminhá-los ao aeroporto, algo ainda comum em áreas vizinhas ao Tibete.
Também como medida de segurança, mesquitas tiveram que permanecer fechadas na sexta-feira e cancelar a tradicional oração de sexta-feira, dia sagrado muçulmano, ainda que à tarde, por conta de grandes grupos de uigures no lado de fora dos templos, o governo permitiu a abertura de algumas.
Pelo controle da informação e a ausência de dados sobre a identidade das vítimas, é difícil descobrir como um protesto pacífico de estudantes uigures se transformou em ataques selvagens a civis.
Mas, a apenas 17 meses de uma onda de violência parecida no Tibete, a crise em Xinjiang reforça a tensão entre as minorias étnicas do país com a maioria han, a etnia de 1,25 bilhão de chineses.
Em 1949, os chineses han eram 6% da população de Xinjiang, hoje são 42%, graças a políticas de assentamentos promovidas pelo regime.
O PIB da Província dobrou na última década, mas o enriquecimento beneficia muito mais os han que os muçulmanos, algo visível a olho nu em Urumqi.
Repressão e violência
Após os atentados de 11 de setembro nos EUA, o governo começou a usar o argumento de infiltração terrorista na Província para reprimir dissidentes. Em 2005, último dado disponível, a taxa de presos em Xinjiang era o triplo da média nacional.
"A resposta do governo tem sido puramente repressiva. Qualquer expressão de dissidência virou sinônimo de separatismo, que é crime passível de pena de morte na China", diz Nicholas Bequelin, pesquisador da organização Human Rights Watch Asia.
"Os uigures estão vendo sua área de espaço público desaparecer", disse à Folha o professor Robbie Barnett, da Universidade Columbia, que estuda as minorias chinesas.
"A prisão/desaparecimento de Ilham Tohti, um dos principais intelectuais uigures, e a demolição da velha Kashgar são demonstrações disso. Políticas que pretendem substituir etnicidade por cidadania ou prosperidade econômica farão essa área se contrair mais, o que pode gerar mais violência".

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ópio: o grande combustível Afegão



Os comandantes norte-americanos pretendem cortar a principal fonte financeira do Taleban, a multimilionária produção de ópio (um derivado da papoula) do país. Os Estados Unidos enviarão milhares de soldados às três províncias que financiam grande parte das operações do grupo.

O plano para o envio de 20 mil fuzileiros navais e soldados do exército para as províncias de Helmand, Kandahar e Zabul, já que as autoridades norte-americanas acreditam que o Taleban defenderá vigorosamente aquilo que funciona como seu único motor econômico.

Por meio de extorsão e taxação, o Taleban obteria até US$ 300 milhões anualmente com o comércio de ópio do Afeganistão, que atualmente representa 90% das transações comerciais do país. Segundo os norte-americanos, isto é o suficiente para sustentar todas as operações militares do Taleban no sul do Afeganistão durante um ano inteiro.

Porém, como sempre, os Estados Unidos terão que enfrentar graves problemas como: o ópio é comercializado em áreas densamente habitadas, e, além disso, tem o fato de o Taleban estar espalhado em meio à população. Sendo assim, os norte-americanos só terão sucesso se romperem o controle do grupo sobre o cultivo da papoula. Ninguém aqui acredita que essa será uma tarefa fácil.

Na última segunda-feira, após passarem apenas dez minutos na pequena aldeia de Zangabad, que fica 32 quilômetros ao sul de Kandahar, os soldados norte-americanos depararam-se com um campo de papoulas plenamente florido. Combatentes talebans abriram fogo de três lados.

Segundo as autoridades norte-americanas, atualmente o comércio de ópio representa quase 60% do produto interno bruto do Afeganistão. Muitos dos novos soldados norte-americanos atuarão na área vasta e em grande parte desguarnecida ao longo da fronteira de 880 quilômetros com o Paquistão. Entre eles haverá soldados que usarão o Stryker, um veículo blindado relativamente rápido e leve, capaz de cruzar as extensas áreas adjacentes à fronteira.

A previsão é de que seja um verão sangüento no Afeganistão. O Taleban lutará bravamente para defender sua grande fonte de renda, e certamente usará como escudo uma grande massa da população civil afegã.

O novo contingente deverá estar no local, em sua totalidade, até 20 de agosto, a fim de proporcionar segurança para a eleição presidencial do Afeganistão. Que Allah proteja os civis inocentes!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A ameaça taliban e a proximidade com o Paquistão

Bom, a essa altura do campeonato, com toda a instabilidade que ronda o Irã, o Paquistão, que também protagoniza novelas no Oriente Médio, resolveu colocar as mangas de fora.



O grupo do taleban, que tanto aterrorizou os Afegãos entre 1996 e 2001 está cada vez mais próximo do Paquistão. Eles começaram a se retirar na sexta-feira de Buner. Sua conquista silenciosa desse distrito paquistanês estava pressionando o governo de Islamabad, tanto pelos dos EUA como de sua própria opinião pública.


Apesar das declarações de firmeza pronunciadas ontem pelo primeiro-ministro, Yusef Raza Gilani, e pelo chefe do exército, general Ashfaq Pervez Kayani, o governo mobilizou apenas algumas centenas de forças paramilitares em Buner. Além disso, grupos de taleban começaram a aparecer em vários distritos vizinhos, segundo testemunhos de seus habitantes. Por isso as autoridades não conseguiram eliminar os temores de que não estão fazendo o suficiente para acabar com a ameaça extremista.
A crescente influência taleban no norte do Paquistão, junto com a perda de controle do governo de Islamabad na área, fizeram soar todos os alarmes no Ocidente sobre a estabilidade do país, o único de população muçulmana que possui a bomba atômica. As autoridades paquistanesas devem tomar medidas para "neutralizar a ameaça" taleban, disse o secretário de Defesa americano, Roberts Gates. Em meias palavras: não basta ter consciência da ameaça, tem que atuar contra ela.


Diante da pressão americana, o governo paquistanês afirma que nada tem a ver com o Afeganistão, e que jamais permitirá que o território do Paquistão caia em mãos de extremistas como o taleban.


É ver para crer.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cingapura finalmente equilibra o secular e o religioso


Fiquei muito feliz de ler uma matéria que saiu hoje no New York Times sobre o ensino em algumas escolas muçulmanas de Cingapura.

Parece que chegou a hora do governo assumir o peso de manter a educação presa ao conservadorismo, com o currículo voltado somente para a religião.

Após começar o dia com orações e cânticos em homenagem ao aniversário do profeta Maomé, os alunos da madrassa (escola muçulmana) Al Irsyad Al Islamiah, em Cingapura, voltam-se para o secular. Em uma aula de química da qual participam apenas garotas o assunto são as substâncias e os ácidos e em outra os alunos estudam inglês, matemática e outras matérias do currículo nacional. Os professores pedem aos alunos que façam perguntas. Alguns, fiéis à adoção das tecnologias modernas pela escola, medem os conhecimentos dos estudantes com dispositivos individuais de avaliação.Os líderes muçulmanos de Cingapura veem a Al Irsyad, com o seu equilíbrio estrito entre estudos religiosos e seculares, como o futuro da educação islâmica, não apenas nesta cidade-Estado, mas em outros locais do sudeste asiático.Duas madrassas na Indonésia já adotaram o currículo e o sistema de gerenciamento da Al Irsyad, atraídas por aquilo que consideram um modelo progressista de educação islâmica afinado com o mundo moderno. Para elas, a Al Irsyad é o contraponto às várias madrassas tradicionais que enfatizam os estudos religiosos em detrimento de tudo o mais. Em vez de pregarem o radicalismo, os livros da escola elogiam a globalização e organizações internacionais como as Nações Unidas. Líderes da educação islâmica de Cingapura lamentam o fato de que, em grande parte do Ocidente, as madrassas de todas as regiões passaram a ser vistas como centros de militância nos quais os alunos passam os dias decorando o Alcorão. Mas eles estão aliviados porque, nos últimos anos, nenhum suspeito de ser terrorista da região foi produto de madrassas cingapurianas, embora alguns deles tivessem vínculos com madrassas da Indonésia e de outros países do sudeste asiático. Essa associação fez com que se aprofundasse o debate a respeito da natureza da educação muçulmana.Graças a Deus, os líderes de Cingapura começaram a enxergar as enormes dificuldades do sistema de educação islâmica. Essas escolas não conseguiram se adaptar ao mundo moderno, e permanecem formando adultos despreparados para lidar com o mundo exterior. Além disso, há o fato de alguns líderes religiosos estarem achando que eles mesmos não estão atendendo às necessidades do Islamismo como uma fé que precisa estar viva, interagindo com outras comunidades e religiões.

O Conselho Religioso Islâmico de Cingapura, um comitê que assessora o governo nas questões muçulmanas, deu a Al Irsyad um local de destaque no seu novo centro islâmico. Sendo há muito a instituição que apresenta o melhor desempenho dentre as seis madrassas do país, a Al Irsyad foi escolhida para figurar no centro como um "modelo demonstrativo”.

Esperamos que essa mentalidade encha os países muçulmanos de novas idéias para mudanças na educação do Oriente Médio, como um todo. As crianças e jovens dessa região precisam crescer voltados para uma nova realidade, cada vez mais marcante em suas vidas.

A semente de um diálogo mais aberto com as comunidades islâmicas está sendo plantada agora. Quem sabe daqui a 30 anos teremos uma nova geração, com mente aberta, voltada para o desenvolvimento e para a parceria com outros países.

terça-feira, 21 de abril de 2009

O que poderá vir após o capitalismo?

O sistema bancário americano enfrenta perdas de mais de US$ 3 trilhões. O Japão está em uma depressão. A China caminha para crescimento zero. Alguns ainda esperam que uma cirurgia de emergência possa restaurar o status quo. Entretanto, cada vez mais pessoas sentem que estamos em um daqueles pontos raros de inflexão quando nada será novamente o mesmo.
O que poderá vir após o capitalismo?
Há poucos anos atrás a pergunta foi abandonada, considerada tão sensível quanto perguntar o que viria após a eletricidade. Mas a lição do próprio capitalismo é de que nada é permanente. Dentro do capitalismo há tantas forças que o minam quanto há forças que o conduzem adiante.
Nas primeiras décadas do século 19, as monarquias da Europa pareciam ter se livrado de seus desafiantes revolucionários, cujos sonhos foram enterrados na lama de Waterloo. Monarcas e imperadores dominavam o mundo e tinham provado ser extraordinariamente adaptáveis. Assim como os atuais defensores do capitalismo, aqueles que os apoiavam podiam argumentar de forma plausível naquela época que as monarquias estavam enraizadas na natureza. Mas assim como a monarquia se deslocou do centro do palco para a periferia, o capitalismo não mais dominará a cultura e a sociedade tanto quanto atualmente. Em resumo, o capitalismo poderá se tornar servo em vez de mestre, e a atual depressão acelerará esta mudança.
O capitalismo tem um relacionamento complicado com a política: às vezes restringido e domado por ela, às vezes buscando dominá-la. O mesmo padrão pode ser visto nos Estados Unidos, onde ambos os partidos estão emaranhados em Wall Street - um motivo para terem tido dificuldade em responder a uma crise como essa.
Há apenas poucas décadas, havia grande interesse no que substituiria o capitalismo. As respostas variavam de comunismo ao gerencialismo, e de esperanças de uma era dourada de lazer a sonhos de um retorno à harmonia comunitária e ecológica. Mas o capitalismo inquieto continuava a fornecer base para a crença de que poderia destruir a si mesmo. O materialismo capitalista minava os incentivos para as pessoas terem filhos, sacrificando renda e prazer pelo esforço árduo da vida familiar. Além disso, há uma vulnerabilidade na questão do consumo: após atender com sucesso as necessidades materiais das pessoas, o capitalismo é ameaçado se então perderem o interesse no trabalho árduo e em ganhar dinheiro, optando pelo aconselhamento da nova era, a anos de pausa de meia-idade e aos fins de semana com três dias. A única resposta do capitalismo é investir cada vez mais na criação de novas necessidades alimentadas pela ansiedade por status, beleza ou massa corpórea, um resultado perverso que pode tornar as sociedades capitalistas desenvolvidas mais problemáticas psicologicamente do que seus pares pobres.
Nos países altamente endividados, simplesmente haverá menos consumo e mais poupança. É uma ironia que muitas das medidas adotadas para lidar com o impacto imediato da recessão, como os pacotes de estímulo fiscal, apontem na direção oposta do que é necessário a longo prazo. Mas já há fortes movimentos para restringir o excesso do consumismo em massa.

O conhecimento também está dividido entre modelos capitalistas e alternativas cooperativas. Há uma década, todas as políticas industriais de cada governo valorizavam a criação e proteção da propriedade intelectual. Mas contrariando as expectativas, modelos diferentes também prosperaram. Uma proporção alta dos programas usados na Internet possui código fonte aberto.
Muitos acontecimentos estão forçando os Estados a considerarem de novo como socializar os novos riscos. As duas últimas acomodações - a do final do século 19 e de meados do século 20- tratavam em sua raiz do risco, enquanto os governos assumiam a tarefa de proteger as pessoas do risco da pobreza na velhice, saúde ruim e desemprego. A China parece destinada a alcançar o Ocidente neste aspecto; ela precisa desesperadamente criar um serviço de saúde e Estado de bem-estar social viável caso o Partido Comunista deseje permanecer legítimo e conter uma reação política contrária aos excessos capitalistas. Para a maioria, o abismo entre o que é necessário e o que é oferecido está crescendo, à medida que a expectativa de vida continua crescendo e a incapacidade se torna a norma.
A tendência mais longa é de ver o produto interno bruto com menos importância do que outras medidas de sucesso social, incluindo o bem-estar.
A crise do capitalismo é, é claro, global, e tem exibido as limitações das instituições globais que foram moldadas há meio século. A China caminha para se tornar um agente dominante em um Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial fortalecidos, seguida pela Índia e Brasil. O G20 está superando o G8 como o clube que importa. E no aguardo estão possíveis novas instituições para policiamento e gestão do carbono.
O resultado é que um grande espaço político está se abrindo. A curto prazo, ele está sendo preenchido com raiva, medo e confusão. A longo prazo ele poderá ser preenchido com uma nova visão do capitalismo, e seu relacionamento tanto com a sociedade e a ecologia, uma visão que será mais clara a respeito do que queremos para crescer e o que não queremos.
No passado as democracias domaram, guiaram e ressuscitaram repetidas vezes o capitalismo. Elas impediram a venda de pessoas, votos, cargos públicos, trabalho infantil e órgãos do corpo, e asseguraram o cumprimento de direitos e regras, assim como despejaram recursos para atender a necessidade do capitalismo de ciência e perícia, e foi desta mistura de conflito e cooperação que o mundo atingiu progresso extraordinário no último século. Nós precisamos reacender nossa capacidade de imaginar, e ver através da tempestade que ainda está se formando o que se encontra além.

domingo, 12 de abril de 2009

A Índia volta ao colchão



E mais um país abalado com a nova crise internacional: Índia. E por que seria diferente?


A queda das ações no país já prejudicou muitos investidores, grandes ou pequenos. Nos últimos anos, investidores mais cautelosos estavam diversificando suas aplicações, evitando depósitos bancários e dinheiro vivo. Entretanto, não demorou muito e a crise os levou de volta à segurança dos depósitos bancários, reduzindo o volume de capital disponível para outros instrumentos, que, consequentemente, retardou o crescimento da indústria de servições financeiros.


O alto índice de poupança da Índia foi um dos motores de arranque da economia. Forneceu capital produtivo e iniciou um ciclo de maior crescimento, renda e mais poupança.


À medida que o crescimento real do PIB acelerou e a economia se abriu, muitos chegaram a pensar que os indianos mudariam hábitos milenares de vida e se tornariam mais consumistas. terrível engano: a prosperidade do país aumentou ainda mais os índices da poupança.


Vale lembrar que um dos motivos para o povo indiano ser tão cauteloso é o sistema previdenciário precário: somente 10% da população trabalhadora é coberta por um plano de aposentadoria. Ainda temos a cobertura dos planos de saúde, que é muito baixa.


Grande parte da poupança indiana está investida em ativos físicos improdutivos, por exemplo, casas, jóias e bens duráveis. Isso tudo está sendo transformado muito lentamente em ativos financeiros, e o governo está ávido por encontrar novas maneiras de incentivar a mudança de pensamento do povo indiano.


Afinal, a vaca sagrada se ficar rica dará leite ninho ou continuará no tradicional?

sexta-feira, 6 de março de 2009

Iraniana queimada com ácido quer aplicar a lei do "olho-por-olho" a seu carrasco

Reproduzo aqui uma matéria que li hoje. Vale a pena conferir como as mulheres estão ganhando voz no Oriente Médio.


05/03/2009 - 01h51
Iraniana queimada com ácido quer aplicar a lei do "olho-por-olho" a seu carrasco



Ana Pantaleoni, em Madri


Ela voltará a Teerã e queimará os olhos dele com ácido. A voz de Ameneh Bahrami não treme. Ela tira os óculos pretos e mostra seu rosto queimado. Essa mulher miúda está disposta a aplicar a lei de talião, a famosa "olho por olho, dente por dente", ao homem que a deixou cega por despeito em setembro de 2004. Ameneh, que então era uma jovem universitária que estudava engenharia eletrônica em Teerã, se recusou a casar com ele. "Ele me atirou um vidro de ácido sulfúrico no rosto. Me deixou cega e agora quero que fique cego", explicou na quarta-feira, sentada na clínica em Barcelona onde foi tratada."Não quero vingança. Quero que as outras pessoas como ele saibam que não podem fazer essas coisas. Agora ele quer morrer, não quer viver cego. É um selvagem, não tem educação, não entende nada. Nem ele nem sua família me pediram perdão. Penso que essa é uma boa lei para essa pessoa. Não quero que ninguém mais sofra como eu", afirma essa mulher de 30 anos. Parece duro, mas Ameneh não perde a compostura. Lembra as 17 operações que fez nestes quatro anos, 16 nos olhos e uma no rosto. "Tenho certeza do que vou fazer, não é brincadeira. As pessoas me dizem que estou errada e eu digo: 'Feche os olhos durante cinco minutos e então me entenderá'."Em 26 de novembro passado, um tribunal iraniano condenou o homem que a deixou cega a perder a vista do mesmo modo. Se a condenação for executada, esse homem receberá 20 gotas de ácido. Ameneh se expressa com dificuldade em castelhano. "Me disseram que lhe darão anestesia. No meu país a lei é diferente: um homem é igual a duas mulheres. Me disseram que dois olhos meus são um dele. Mas eu disse ao juiz que com um olho se pode viver. Mandei uma carta lembrando que ele me queimou o rosto, a cabeça e as duas mãos. Não receberei o dinheiro que me oferece como indenização, mas receberei os dois olhos."Segundo a legislação iraniana, Ameneh só poderia cegá-lo de um olho se não pagasse 20 mil euros para executar a sentença totalmente. Não pagará, mas alegou ao juiz que além de perder a visão está totalmente desfigurada.A justiça iraniana, baseada na xariá ou lei islâmica, aplica a pena de talião nos casos de danos físicos intencionais e a pedido da vítima, que pode perdoar o castigo em troca de uma compensação monetária. Ameneh está à espera de uma carta do tribunal de seu país para viajar ao Irã e executar a sentença. Por estar totalmente cega, não poderá executá-la pessoalmente, mas afirma: "Haverá muita gente que queira fazê-lo por mim".Ameneh vive desde abril de 2005 em um pequeno quarto no bairro de L'Eixample em Barcelona. A maioria das operações foi realizada no Instituto de Microcirurgia Ocular de Barcelona. Seu médico, Ramón Mendel, especialista em cirurgia plástica molecular, explica que Ameneh chegou à clínica particular enviada pela embaixada iraniana em Madri. Conseguiram salvar 40% da visão de um de seus olhos, mas uma infecção acabou deixando-a cega.De que ela vive desde que deixou o Irã? "Tenho a residência espanhola. Recebo uma ajuda do governo espanhol de 400 euros e o resto são donativos, gente que conhece minha história pela Internet e me ajuda através de um número de conta bancária, depositando dinheiro." Nos dias em que se sente bem, Ameneh vai ao centro de serviços sociais encontrar seu assistente, aprender braile e também espanhol. Ameneh está muito animada com a operação no rosto que lhe farão no hospital Vall d'Hebron em Barcelona. "Não quero voltar a viver no Irã. Ali tenho medo de sair à rua. Perdi a confiança."


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Colômbia no caminho da paz?

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que, com 45 anos, são a mais antiga guerrilha da América Latina, estão desmoronando. Vários dos principais líderes morreram no último ano -um foi morto pelo exército colombiano, outro foi assassinado por seus subordinados, e seu comandante lendário foi levado pela velhice. Sua desordem tornou-se embaraçosamente clara em julho, quando uma de suas divisões foi enganada e levada a liberar alguns dos reféns mais preciosos das Farc, inclusive uma ex-candidata presidencial colombiana e três prestadores de serviços militares dos EUA.

De acordo com o governo colombiano, muitos dos atuais líderes das Farc, assim como alguns do grupo menor Exército de Liberação Nacional, não estão mais morando no país. Duas fortes divisões das Farc que operavam ao longo da costa do Caribe com quase 500 membros essencialmente evaporaram. As deserções vêm crescendo em tal ritmo que as Farc cessaram operações organizadas contra o exército colombiano.

É difícil acreditar que as Farc tenham qualquer chance de recuperação. Mas uma coisa é vencer a guerra e outra bem diferente é assegurar a paz. Hoje, há várias indicações que os avanços militares estão à frente de outros passos críticos para a paz na Colômbia. O conflito evoluiu, e o exército está claramente na liderança. As Farc, contudo, fizeram modificações táticas e continuam a infligir dores substanciais. Neste mês apenas, a organização que alegava defender os pobres e marginalizados admitiu matar ao menos oito índios no sul da Colômbia, acusando-os de cooperar com governo.

Agora, não faz mais ataques planejados e sim aterroriza a população civil. De acordo com Santos, as Farc agora se dedicam a sequestrar e plantar bombas e minas terrestres, apesar de sua capacidade diminuída. Além disso, com a redução de suas fileiras, o recrutamento tornou-se mais agressivo, forçando a fuga das famílias.

Na Colômbia, a paz nunca é facilmente alcançada: em 2003, o presidente Álvaro Uribe tentou negociar com a facção criminosa de direita AUC, ou Auto-Defesa Unida da Colômbia, uma coalizão de grupos paramilitares formada nos anos 80 para proteger proprietários de terra e empresários, assim como traficantes, dos guerrilheiros de esquerda.O governo desmobilizou 32.000 combatentes e defensores da AUC e extraditou vários de seus líderes para os EUA por violarem os termos do acordo. Muitos dos combatentes ainda participam dos programas que buscam integrá-los à sociedade. Ainda assim, estima-se que 5.000 deixaram o processo e provavelmente ingressaram para 16 a 22 grupos armados ilegais que hoje lutam pelo controle do território com atividades ilegais de drogas e de agroindústria potencialmente lucrativa. Esses grupos agora frequentemente trabalham com guerrilheiros "de esquerda" e juntos aterrorizam as populações locais.

Como consequência de toda essa batalha, a crise dos refugiados internos da Colômbia talvez seja o maior obstáculo no caminho para a paz. O apoio americano na última década, com bilhões de dólares, foi crucial para os sucessos militares da Colômbia e agora cabe aos governantes americanos estimularem seus colegas colombianos a avançarem na redução das novas formas de violência, eliminando as minas terrestres e levando os refugiados de volta para casa em segurança.

Nos últimos anos, entretanto, os democratas em Washington se concentraram mais na violência contra os sindicalistas, usando o acordo pendente de livre comércio com a Colômbia. E apesar dessas preocupações terem importância, sugerem uma perspectiva estreita que ignora o quanto os esforços colombianos e o apoio americano precisam evoluir.

domingo, 2 de novembro de 2008

Obama para presidente: o mundo em campanha


Está chegando a hora. O futuro presidente dos EUA se prepara para receber a amarga herança que lhe espera: oito anos de liderança fracassada do presidente Bush, com o peso de duas guerras, uma péssima imagem global, crise financeira e um governo desprovido para atender plenamente seus cidadãos
Considerando tudo isso, e não desconsiderando a experiência de vida e de política de McCain, está mais do que claro que o senador Barack Obama, de Illinois, é a opção certa para ser o 44º presidente dos EUA.
A política dos EUA e seus meios de atuação precisam ser reinventados como um todo, a economia precisa ser reaquecida e os americanos precisam entender, de uma vez por todas, que não são tão diferentes do resto do mundo quando pensam.
Obama enfrentou uma série de desafios, crescendo como líder e dando substância a suas primeiras promessas de esperança e mudança. O mundo acredita que ele tem a vontade e a capacidade de gerar um amplo consenso político que é essencial para se encontrar soluções para os problemas desta nação. McCain oferece mais da ideologia republicana do cada-um-por-si, que hoje jaz em ruínas em Wall Street e nas contas bancárias dos americanos. Obama tem outra visão do papel e das responsabilidades do governo. Em seu discurso na convenção em Denver, Obama disse: "O governo não pode solucionar todos os nossos problemas, mas o que ele deve fazer é o que não podemos fazer por nós mesmos: nos proteger do perigo e oferecer a todas as crianças uma educação decente; manter nossa água limpa e nossos brinquedos seguros; investir em novas escolas, novas estradas e nova ciência e tecnologia".

Obama percebe que serão necessárias reformas profundas para proteger os americanos e as empresas americanas, em vez de McCain, que insiste em políticas estreitas que se baseiam em corte de gastos desnecessários e auto-regulação dos mercados.Em termos de guerra, Obama foi um adversário precoce e consciente da guerra no Iraque, e apresentou um plano militar e diplomático para a retirada das forças dos EUA. Ele também advertiu corretamente que enquanto o Pentágono não começar a tirar as tropas do Iraque não haverá tropas suficientes para derrotar os taleban e a Al Qaeda no Afeganistão.

Obama quer reformar as Nações Unidas, enquanto McCain quer criar uma nova entidade, a Liga de Democracias - uma medida que provocaria novas fúrias anti-americanas em todo o mundo. Infelizmente, McCain, assim como Bush, vê o mundo dividido entre amigos (como a Geórgia) e adversários (como a Rússia). Ele propôs expulsar a Rússia do Grupo dos 8 países industrializados mesmo antes da invasão da Geórgia. Não temos simpatia pela prepotência de Moscou, mas também não desejamos reencenar a Guerra Fria. Os EUA devem encontrar uma maneira de conter os piores impulsos dos russos, enquanto preservam a capacidade de trabalhar com eles no controle de armas e outras iniciativas vitais.Os dois candidatos falam com firmeza sobre terrorismo, e nenhum deles descartou a ação militar para pôr fim ao programa de armas nucleares do Irã. Mas Obama pediu um sério esforço para tentar dissuadir Teerã de suas ambições nucleares com medidas diplomáticas mais verossímeis e sanções mais duras. A disposição de McCain a brincar sobre bombardear o Irã foi assustadora.

Será um enorme desafio apenas colocar o país de volta onde estava antes de Bush, começar a reparar sua imagem no mundo e restaurar sua autoconfiança e seu respeito próprio. Fazer tudo isso e levar os EUA adiante exigirá força de vontade, caráter e intelecto, julgamento sóbrio e mão firme e fria.